segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sonhos, espera, águas e volta




Fiquei ali, próximo ao canal dois ao longo do dia
Procurando-te, a te esperar, do nascer ao por do sol
Indo e vindo, concentrando o olhar, não deixando nada despercebido passar
Observava tudo e a todos, como uma sentinela dedicado
Sem a atenção se perder para com qualquer outra pessoa
Pois havia muitas, indo e vindo, algumas cantando, outras sorrindo
Algumas outras nem tanto, apenas caminhando
Expondo e demonstrando as marcas o bronze a pele e o balançar
Mas nem isso me fez o foco perder, ou outro objetivo traçar
Por vezes tive a impressão que lhe via, mas em outros braços
Corria para poder de perto ver como mais clareza e certeza
Mais os tais casais na multidão se perdiam, ou nas águas se envolviam
Águas que alias remetia-me a você, de tanta energia que de lá sobrevenham
Algo de surreal, tamanha força e energia que tais águas traziam
Ouso dizer que compara se quase que a uma experiência espiritual
E mesmo quando em mim o espírito de busca desfalecia
Esta tal ou tais energias não me deixavam parar e desistir
Difícil entender, mais complicado ainda de explicar, e
Inenarrável em qualquer forma de expressar ou escrever
Por fim a noite deitou-se sobre o imenso mar
O luar como nunca tomou sua dupla posição
No céu ele lá firme esta, mas também esta no mar
Ondulando, vindo do infinito, mostrando também poder, força e vigor
Preparando e anunciando que ainda não acabou
E logo logo o dia chegará, trazendo luz, clareza, calor e beleza
Trazendo, esperança, alimentando o esperar, e desejo de em fim te encontrar
Permanecer e juntos para sempre ficarmos
Sem suspeitas ou deduções, sei deixar que certas abstrações
Conduzam-nos a erradas conclusões, que miragens e devaneios
Coisas de quem olha como que num espelho embaçado
Ciumeiras descontroladas, e brigas por causa de nada
Ainda estou aqui, próximo ao canal dois, sentado em rochedos
Agora banhando meus pés nas lindas e cristalinas águas do mar


Elieser Santos 26/01/15