quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Assim não pode ficar

Não sei o quanto dói para ti 
Mas sei que dói muito em mim 
Não sei o quanto te importas 
Mas sei o quanto me incomoda 
Ou será assim justamente por te incomodar? 
Será que o que te dói, importa ou te incomoda 
É o simples fato de eu ser assim? 
Negro, educado, não mais teu escravo 
Negro Africano, livre guerreiro e não mais seu escambo? 
Por nossas mulheres não mais pode usar pra teu “nobre” fetiche? 
Por nossas crianças exigirem não serem reconhecidas por codinomes tipo assim; 
Neguim, pretim, moreno, mulata ou globeleza? 
Vai dizer pra mim que agir assim não é pura maldade? 
Que não é puro preconceito, e racismo maldito que pulsa no teu peito? 
Que é apenas um assistente da ordem cosmológica de causa e efeito 
Que sua parte é manter o sistema injusto e imperfeito? 
Que minha causa é mimimi, ou vitimisto 
E que seu efeito é o menos letal? 
Onde o negro deve morrer por bem ou por mal? 
E, para nossas mães, corpos em caixões 
Já para o algoz, o atirador sem rosto e sem voz 
Medalhas no peito, condecorações, se pah honras e status de herói 
Pois pra manutenção do poder, tem- se metas, tem- se tiros, tem- se os alvos 
A meta; os negros caçar, os tiros e as munições o estado que vai bancar 
E os alvos, ah estes estão por todos os lados, sonos nós negros 
O povo da pele escura, o povo oriundo de lá de África 
Somos os alvo e a mosca, 
Por isso foram 111, foi para ter certeza de não errar, para todo um povo dilacerar 
5 desta vez se foram, mas o estrondo, os estampidos de seus tiros fizeram 
Milhares de nós de uma eterna letargia nos fez acordar 
Por isso vamos ainda mais te incomodar, bem mais muito mais 
Como nobres que somos, como Reis e Rainhas 
Como legítimos guerreiros Africanos 
Sem armas, sem munições ou fuzis, mas com certeza vamos guerrear 

Elieser Santos 02/12/15